segunda-feira, 30 de abril de 2012

É sempre uma falta de amor criticar e julgar?




Por Augustus Nicodemus Lopes 

Tornou-se comum evangélicos acusarem de falta de amor outros evangélicos que tomam posicionamentos firmes em questões éticas, doutrinárias e práticas. A discussão, o confronto e a exposição das posições de outros são consideradas como falta de amor.

Essa acusação reflete o sentimento pluralista e relativista que permeia a mentalidade evangélica de hoje e que considera todo confronto teológico como ofensivo.

Pergunto-me se a Reforma Protestante teria acontecido se Lutero e os demais companheiros pensassem dessa forma.

Não posso aceitar que seja falta de amor confrontar irmãos que entendemos não estarem andando na verdade, assim como Paulo confrontou Pedro, quando este deixou de andar de acordo com a verdade do Evangelho (Gálatas 2:11). Muitos vão dizer que essa atitude é arrogante e que ninguém é dono da verdade. Outros, contudo, entenderão que faz parte do chamamento bíblico examinar todas as coisas, reter o que é bom e rejeitar o que for falso, errado e injusto.

Considerar como falta de amor o discordar dos erros de alguém é desconhecer a natureza do amor bíblico. Amor e verdade andam juntos. Oséias reclamou que não havia nem amor nem verdade nos habitantes da terra em sua época (Os 4.1). Paulo pediu que os efésios seguissem a verdade em amor (Ef 4.15) e aos tessalonicenses denunciou os que não recebiam o amor da verdade para serem salvos (2Ts 2.10). Pedro afirma que a obediência à verdade purifica a alma e leva ao amor não fingido (1Pe 1.22). João deseja que a verdade e o amor do Pai estejam com seus leitores (2Jo 3). Querer que a verdade predomine e lutar por isso não pode ser confundido com falta de amor para com os que ensinam o erro.

Apelar para o amor sempre encontra eco no coração dos evangélicos, mas falar de amor não é garantia de espiritualidade e de verdade. Tem quem se gabe de amar e que não leva uma vida reta diante de Deus. O profeta Ezequiel enfrentou um grupo desses. “... com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33.31). O que ocorre é que às vezes a ênfase ao amor é simplesmente uma capa para acobertar uma conduta imoral ou irregular diante de Deus. Paulo criticou isso nos crentes de Corinto, que se gabavam de ser uma igreja espiritual, amorosa, ao mesmo tempo em que toleravam imoralidades em seu meio (tratava-se de um jovem “incluído” que dormia com sua madrasta - 1Co 5.1). O discurso das igrejas que hoje toleram todo tipo de conduta irregular em seus membros é exatamente esse, de que são igrejas amorosas, que não condenam nem excluem ninguém.

Ninguém na Bíblia falou mais de amor do que o apóstolo João, conhecido por esse motivo como o “apóstolo do amor”. Ele disse que amava os crentes “na verdade” (2João 1; 3João 1), isto é, porque eles andavam na verdade. "Verdade" nas cartas de João tem um componente teológico e doutrinário. É o Evangelho em sua plenitude.  Todavia, eis o que o apóstolo do amor proferiu contra mestres e líderes evangélicos que haviam se desviado do caminho da verdade:

- “todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (1Jo 4.3).

- “... muitos enganadores têm saído pelo mundo fora... Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus... Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo 7-11).


Poderíamos acusar João de falta de amor pela firmeza com que ele resiste ao erro teológico?

O amor bíblico disciplina, corrige, repreende, diz a verdade. E quando se vê diante do erro seguido de arrependimento e da contrição, perdoa, esquece, tolera, suporta. O Senhor Jesus, ao perdoar a mulher adúltera, acrescentou “vai e não peques mais”.

Portanto, o amor cobrado pelos que se ofendem com a defesa da fé, a exposição do erro e o confronto da inverdade não é o amor bíblico. Falta de amor para com as pessoas seria deixar que elas continuassem a ser enganadas sem ao menos tentar mostrar o outro lado da questão.

domingo, 15 de abril de 2012

Sola Scriptura - Somente as Escrituras!



Sempre existiu e existe o grande perigo de pessoas serem enganadas por pastores e pregadores impostores. Há uma demasiada necessidade de testar a mensagem do pregador, comparando-a com a palavra já revelada e confirmada (Atos 17:11; 1 João 4:1). 

Deus adverte a respeito de confiar em pessoas que afirmam ter recebido uma revelação (Jeremias 23:25-32), e também de acreditar em pessoas que pregam a mensagem errada, mesmo quando elas predizem um acontecimento, e este se torna realidade (Deuteronômio 13:1-5). 

Qualquer Evangelho diferente daquele que já recebemos e que estão expostos nas Sagradas Escrituras, ainda que venha através de um anjo do céu, está condenado (Gálatas 1:6-9; 1 Timóteo 1:3-4).

Atentem às Escrituras, pois não há nada que não possa ser recebido diretamente dela.

O Senhor me revelou que você não precisa de revelação!

SOLA SCRIPTURA!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pequenas Reflexões: Conduta teológica


‎"Ainda que eu fale as línguas dos Reformadores e dos teólogos profissionais, se eu não tiver fé pessoal em Cristo, minha teologia não será nada além de uma barulhenta batida de uma corda de tambor.

E ainda que eu tenha poderes analíticos e o dom de criar coerentes sistemas conceituais de teologia, de modo a eliminar objeções liberais, se eu não tiver esperança pessoal em Deus, nada serei.

E ainda que eu me proponha a resolver o debate entre supra e infralapsarianismo, e defender a inerrância, e aprender o Catecismo de Westminster, sim, até mesmo o Maior, de modo que o recite cor, de frente para trás e de trás para frente, e eu não tiver amor, nada disso me valerá".

(Kevin Vanhoozer)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Pequenas Reflexões: Descaso com as Escrituras - R. C. Sproul




"Muitas vezes não desejamos passar por todas as dificuldades de estudar a Palavra, isso dá trabalho. As pessoas podem ir por palpites, intuições, sentimentos e batizar esses sentimentos e intuições como se fossem mandados divinos do céu."

(R. C. Sproul)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Reflexão: Atentem as Escrituras!



Por Daniel Canício

Nos últimos dias estive refletindo acerca das críticas lançadas contra nós por parte daqueles que um dia caminharam lado a lado conosco. Depois de muito pensar, refletir e analisar tais críticas, percebi que tudo não passa de uma má compreensão de nossas ações aliado a um julgamento de intenções.

Primeiramente, eu gostaria de reforçar que ao atacarmos uma doutrina, não estamos necessariamente atacando as pessoas que seguem esta doutrina. Eu não duvido e tão pouco julgo a sinceridade do coração destas pessoas ao adorar a Deus. Sei de verdade, que muitos que estão seguindo tais doutrinas, buscam viver uma vida em santidade, lutando dia após dia contra o pecado, visto que realmente acreditam nas sensações e arrepios que vivenciam nos cultos que freqüentam. Acredite, eu vivenciei tais sensações, já inclusive vivenciei sensações tão gostosas e que massageavam meu emocional de tal forma, que eu cheguei ao ponto de dar tremeliques nos cultos, falando em línguas estranhas, muito estranhas mesmo.

Contudo, o que peço ao lerem minhas mensagens, é que não atentem a minha pessoa. Eu não sou nada, a única coisa que sou é o que Cristo me tornou, ou seja, um portador do que não é meu, é dEle. E como nada sou, o que importa é o que trago. Pois se sou isso ou aquilo, toda mente maledicente transformará o isso ou aquilo em desculpa para não aceitar o que trago. Portanto, por apenas um momento, peço que esqueçam os adjetivos de “rebeldes”, “desviados”, “semeadores de contendas”, “infrutíferos” e todos estes que estamos cansados de ouvir e ler. Atentem apenas para a mensagem, analisando-as de acordo com as Sagradas Escrituras verificando se o que falamos é verdade (At. 17:11).

Lembrem-se! Sensações gostosas o nosso emocional é capaz de produzir. Bem estar emocional e mental, um psicólogo é capaz de produzir. Regeneração da natureza caída dos seres humanos, apenas Cristo pode produzir, Ele é o Verbo, Ele é a Palavra Viva (João 1:1-14).

Atentem a Ele, pois Ele é a verdade, e quanto mais buscarmos conhecer essa verdade, mais libertos seremos das vãs filosofias (João 8:32).

Nós somos tão fracos e ignorantes que somos facilmente enganados pelo nosso próprio coração, como nos ensina a passagem: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17:9)

Se as Sagradas Escrituras nos mostram isso claramente, por que cismamos em ignorar os ensinamentos bíblicos e insistimos em fundamentar nossa fé em nossa experiência pessoal?

Atentem as Escrituras!

Sola Scriptura, Soli deo Gloria!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ele é Deus que tira




Agradecemos a Deus quando Ele nos dá e reclamamos quando Ele nos tira. Te digo: Ele é Deus que tira.

Tirou Noé do grande dilúvio, tirou Abrão de Ur dos Caldeus, tirou Ló de Sodoma e Gomorra, tirou Moisés das águas, e depois, do Egito. Tira Josué do desânimo e tira Raabe de Jericó. Ele tira Gideão do medo, tira Samuel do sono para ouvir a Sua voz, tira Saul do reinado e tira Davi do pastoreio para ser rei. Tira Elias da fraqueza, tira a viúva de Sarepta da fome e tira Neemias do seu serviço para reconstruir os muros de Jerusalém. Tira Jó do sofrimento, a impureza dos lábios de Isaías, Daniel da cova dos leões e outros três da fornalha. Tira Mateus da coletoria, os acusadores da prostituta, tira Zaqueu da árvore e o doente do seu leito. Tira Lázaro da tumba, Pedro e João da prisão, Paulo do seu caminho sanguinário e TIRA O SEU PECADO E O MEU.

Louvado seja Deus em Cristo Jesus, porque Ele tira.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Refletindo sobre as músicas tocadas nos cultos evangélicos



Por Renato Vargens


Há pouco participei de um culto onde o momento de louvor  com música foi uma pulação só. Depois de  mais de uma hora de muitos gritos, saltos e urros espirituais, o pastor embuido de uma espiritualidade opaca me avisou que o sermão não deveria passar de  30 minutos, isto porque, a hora havia passado e já estava tarde demais.


Pois é, ultimamente tenho pensado nas canções cantadas em nossas igrejas. Aliás, vale a pena ressaltar que a esmagadora maioria dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus. Para piorar a situação, as músicas cantadas pelos denominados artistas gospel, nem o nome de Cristo mencionam mais. Veja por exemplo a canção "Tire os pés do chão" do ministério "Toque no Altar" que incentiva o crente a festejar, dançar e tirar os pés do chão.


Quem me viu dizia 
Não poderá alcançar 
Mas sou irresistível 
Não vou mais parar 
Este é um novo dia 
A nova casa é maior 
É tempo de alegria posso festejar 
Por tudo o que vi, E o que virá. 
Vou tirar os pés do chão, E festejar, festejar!!! 
O impossível se rendeu. Eu posso dançar, dançar!!! 
Diante das muralhas, Eu vou gritar. 
Sobre os portões do inimigo, Vou saltar... 


Caro leitor, participar de alguns cultos é um verdadeiro desafio, isto porque as canções entoadas em nossos cultos são absolutamente desprovidas de graça. Infelizmente  numa liturgia preponderantemente hedonista, este tipo de evangélico é extravagante, quer de volta o que é seu, necessita de restituição, determina a prosperidade, toca no altar, pede chuva, canta mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo. 


Prezado amigo, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.


Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a uma adoração cristocêntrica extirpando das nossas liturgias essa pulação inconsequente que em nada contribui para o engrandecimento do nome do Senhor.


Soli Deo Gloria!

sábado, 1 de outubro de 2011

Pequenas Reflexões: Entretenimento - C.H. Spurgeon



O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.


(C.H. Spurgeon)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pequenas Reflexões: Crer no Evangelho - Santo Agostinho


Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você.

(Agostinho de Hipona)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Conversões Abortivas: Culpa Nossa ou de Satanás?


O evangelismo não é uma lavagem cerebral


A primeira vez que vi a “lavagem cerebral” evangelística foi na Inglaterra, em 1945. Eu havia recebido a tarefa de ajudar uma jovem que “viera à frente” na noite anterior, mas que acordara no dia seguinte reconhecendo haver caído em uma armadilha que a levara a tomar uma decisão apressada. Sua angústia e confusão perturbaram-me profundamente.


Alguém poderia argumentar que a conversão da jovem foi genuína e que sua reação subseqüente foi inspirada por Satanás. Lembro-me de que naquela ocasião adotei esta opinião. Agora, porém, estou mais inclinado a pensar que sua conversão foi psicológica e não espiritual.


Deixe-me definir meus termos.

Em certo sentido, toda conversão é psicológica. Toda conversão inclui uma decisão e uma mudança de perspectiva. Ora, decisão e mudança de perspectiva são fenômenos psicológicos. Mas, enquanto as alterações emocionais de uma conversão espiritual resultam da ação de Deus, em uma conversão puramente psicológica tais alterações resultam de uma técnica empregada ou de uma pressão emocional. Não representam um milagre da graça.



Esta distinção começou a resplandecer em minha mente quando ouvi falar sobre as técnicas de “doutrinamento” usadas pelos comunistas chineses, logo depois da revolução na China. Eles organizavam grandes concentrações com testemunhos pessoais, coros, oradores “dinâmicos”, apelos e obreiros pessoais — tudo comunista. Imitação fraudulenta do diabo? Não exatamente. Pelo contrário, era a maneira chinesa de empregar, aberta e deliberadamente, as técnicas que alguns evangelistas (talvez de modo inconsciente) usam para obter convertidos.


Nossas mentes estão sujeitas a determinadas leis e, em grau limitado, estão abertas a manipulações. Se, em uma multidão numerosa, me fizerem rir e, depois, chorar; e, em seguida, rir e chorar novamente; e se, em adição a isso, repetirem certas frases com insistência e, alternadamente, me falarem e me consolarem, a minha mente, se eu não estiver vigilante, se tornará cada vez mais flexível nas mãos daqueles que assim agem para comigo.


Poderei chegar a um ponto em que farão comigo o que desejarem. Meu juízo perde a sua sensibilidade, minha consciência se inflama, minhas emoções fazem tudo parecer diferente. Se, em tal condição, eu tomar a decisão que desejarem que eu tome, não importando qual seja esta “decisão”, provavelmente experimentarei alívio, alegria e paz. Este é um fenômeno psicológico bem conhecido. As suas técnicas também são bastante conhecidas. Ainda que eu permaneça alerta, talvez seja difícil resistir, pelo menos temporariamente.


A conversão espiritual autêntica é muito mais profunda. Possui uma dimensão imaterial, não-psicológica. É acompanhada por uma alegria e uma paz mais do que temporária. A conversão autêntica dá lugar à mansidão, à fome e sede de justiça, à humildade de espírito e a todos os frutos da justiça.


Se você é um pregador do evangelho, compete-lhe saber o que está fazendo. Tenha cuidado para não utilizar suas habilidades como pregador na realização de psicoterapia coletiva. 


Lembre-se de que está colaborando com o Espírito Santo. Você deve ter cautela em almejar grandes números de conversões, para que não tente realizar a obra que compete ao Espírito Santo. Seu trabalho, como pregador, consiste em explicar a Palavra de Deus, mostrando como ela se aplica. A obra do Espírito Santo consiste em fazer a Palavra arraigar-se na consciência do homem, a fim de que este permaneça sob o efeito da convicção. Portanto, não brinque com a consciência do pecador, relatando-lhe histórias espantosas. Permita que o Espírito Santo realize a convicção e desperte o temor. As histórias servem para esclarecer pontos obscuros da mensagem, não para produzir calafrios na congregação.


Isto significa que todas as técnicas de evangelismo estão erradas?

Não, não penso assim. É impossível fazer qualquer coisa sem alguma técnica. Precisamos de técnicas para comunicar a verdade com clareza. Prefiro dizer que as técnicas se tornam imorais quando, consciente ou inconscientemente, nós as utilizamos para manusear a vontade, as emoções ou a consciência de outrem; quando adquirem maior importância, em nossos pensamentos, do que o Espírito de Deus; quando os resultados se tornam mais importantes do que as pessoas.



Emoções falsas


Não sou contra as emoções na pregação, e sim contra o emocionalismo. Não me declaro contrário à persuasão fervorosa, e sim contra os truques utilizados para levar um homem a mudar de opinião. Paulo pleiteava com homens e mulheres, chorando enquanto os exortava. Uma atitude magnífica! Porquanto o evangelho de Jesus Cristo não consiste de uma inexpressiva proposição intelectual, e o destino de um homem impenitente não é uma questão de simples interesse acadêmico.


Por conseguinte, que haja lágrimas e não os que “arrancam lágrimas”; que haja persuasão e não as técnicas persuasivas. Em áreas não- espirituais, quando tratamos sobre algo que nos preocupa, lemos livros e manuais para aprender técnicas persuasivas, a fim de levarmos os indivíduos a tomarem decisões. Porém, na pregação, prefiro mais um pregador que chora e uma congregação de olhos enxutos do que o contrário. O pregador tem algo a respeito do qual pode chorar. Ele enxerga, ou deveria enxergar, como as pessoas realmente são, e sua tarefa consiste em transmitir o que vê. E neste processo talvez não seja capaz de controlar suas emoções.


O perigo das manipulações psicológicas não se limita às grandes concentrações de pessoas. As técnicas de evangelismo pessoal podem ser igualmente perigosas.

Vocês já se encontraram com pessoas que lhes perguntaram: “Oh! Será que passei pela experiência?” Ao questioná-las, vocês descobriram que elas haviam “aceitado o Senhor”, quando algum evangelista pessoal excessivamente zeloso apenas as pressionou demais. É verdade que alguns desses “convertidos” podem ser pessoas regeneradas que estão se afastando do Senhor. Mas estou igualmente certo de que a maioria destes casos resulta da “lavagem cerebral” evangelística aplicada por certos “obreiros pessoais”.



Parte de nossa dificuldade se origina de nosso desespero em busca de resultados. Os pastores que trabalham de “tempo integral” têm de provar que estão labutando de tal modo que merecem seu salário. São obrigados a obter resultados e se desesperam por desejarem ser bons agentes de vendas do seu produto. Os que estudam para o ministério evangélico tentam provar seu desempenho cristão (como alguns guerreiros índios provam sua masculinidade) arrancando alguns escalpos.


Ora, os resultados nos deixam perplexos. Não estou dizendo que não devemos ficar preocupados, quando as pessoas ao nosso redor não se deixam levar à salvação. De fato, neste caso deveríamos ficar extremamente preocupados. Entretanto, os resultados precisam ser genuínos, a fim de que tenham qualquer valor. É a regeneração que torna o pecador apto para o céu, e não a manipulação de uma conversão psicológica.


O que posso dizer sobre os motivos que tenho em mente, quando busco resultados? Eles se originam de um sincero interesse pelo meu próximo? Originam-se do amor de Cristo que me constrange? Anseio pela glória de Deus? Ou simplesmente estou procurando comprovar algo?


Motivos falsos


Outro problema que está por trás de nossa paixão por resultados é que pertencemos à cultura do agente de vendas. O verdadeiro representante de nossa época não é o cientista, nem o herói do espaço, e sim o vendedor. Este é o homem que realmente mantém as rodas girando.


Ora, o sucesso de um vendedor é medido pelo número de coisas que ele pode vender. Se estiver vendendo, então, ele é sucesso.

Muitos vendedores são assaltados por dúvidas secretas quanto à qualidade do produto que vendem. Têm de reprimir essas dúvidas, usando as técnicas nas quais foram treinados. Na realidade, as grandes companhias têm as suas próprias técnicas que visam manter em alto nível a moral dos vendedores.



O vendedor deve vestir-se bem e dirigir um automóvel. Isto cria uma aura de sucesso; e isto gera mais sucesso. O vendedor deve estar interessado nos seus clientes, e seu interesse deve ser “genuíno”. (Todavia, qualquer interesse pode ser genuíno quando o motivo final é uma venda, a comissão e o sucesso?) O vendedor tem de mostrar não apenas a virtude de seus produtos, mas também que o seu produto é exatamente aquilo do que seu cliente necessita.


Vivendo em um mundo de vendedores que batem de porta em porta, em um mundo de seus parentes mais sofisticados: os comerciais de rádio e televisão, a propaganda de revistas e os milhares de truques publicitários, é natural muitos imaginarem que o evangelho é apenas mais alguma coisa a ser vendida. Por isso, muitos ensinam abertamente que o evangelismo é uma questão de boa técnica de vendas.


As comparações são óbvias. Na realidade, possuímos algo do que o mundo inteiro necessita. Temos a responsabilidade de levar o conhecimento desse Algo (ou Alguém) a toda criatura. O fator tempo é importante. Homens e mulheres deveriam estar fazendo decisões favoráveis por nosso Produto (desculpem esta palavra tão repugnante).


No entanto, há certos perigos nesta comparação. D. Maria pode (devido às técnicas do vendedor) comprar vassouras, para mais tarde perceber que isso não era o que ela queria. Até certo ponto, embora muito sutilmente, ela foi vítima de “lavagem cerebral”. Isso poderá deixá-la perturbada, mas não será uma grande tragédia. Muito mais trágica é uma decisão de seguir a Cristo que representa apenas a anuência do decidido à “técnica de vendas” do evangelista.


Esperança falsa


Em primeiro lugar, se o Espírito Santo não tiver agido em seu coração, esse indivíduo não terá nascido de novo. Sua “fé” não será a fé que conduz à salvação. Terá uma esperança falsa.

Se, por outro lado, ele reagir contra a sua “conversão”, sua resistência ao evangelho aumentará muito no futuro. Em todo o mundo, existem grandes multidões que estão duplamente vigilantes contra o evangelho, por haverem passado por uma experiência espúria de conversão.



Acrescente-se a isto o fato de que a filosofia de vendedor está repleta de precipícios morais. É contrária à própria natureza do testemunho do evangelho. Vestir-se bem? Para quê? Para impressionar? Por amor ao testemunho? Será que o testemunho consiste de um terno impecável e roupas bem passadas? Ou estaremos confundindo testemunho com reputação e “imagem pública”?


E, o que é pior, você é um daqueles que está procurando exibir uma aparência vitoriosa, “para atrair pessoas a Cristo”? Isto, naturalmente, é o equivalente espiritual das roupas bem passadas. Você sorri (ou pelo menos espera-se que o faça), visto que o crente é um homem cheio de alegria. Você tenta ser semelhante a Cristo, embora não tenha uma idéia clara do que significa ser semelhante a Ele.


Faz parte da técnica. Você deve atrair pessoas a Cristo. E, se isto significa que deve suprimir uma parte do seu verdadeiro “eu”, desempenhando um grande papel em público, isto faz parte do testemunho. Mas o seu verdadeiro “eu” surge repentinamente no dormitório, onde não há ninguém, exceto Deus, para vê-lo. E, quanto a Ele, isso não tem importância. Ele não é um cliente; Ele já se encontra do lado certo.


Nunca lhe passou pela mente que a essência do testemunho (parte importantíssima da evangelização) é apenas honestidade franca? Você é sal, quer sinta isso, quer não. A Bíblia não ensina que o crente deve agir como sal, somente declara que ele é sal. Você é luz. Deus realizou algo em sua vida. Não tente brilhar. Permita que resplandeça a luz que Deus colocou ali.


Existência honesta


Ora, para que a luz do crente brilhe, nada é mais importante do que a honestidade. Temos de ser honestos perante os incrédulos. De fato, essa honestidade, por si mesma, constitui noventa por cento do testemunho. O testemunho não consiste em levantar uma fachada cristã com o propósito de convencer possíveis clientes. Testemunhar é ser honesto, é ser veraz quanto ao que Deus nos fez, tanto em nosso falar como em nossa conduta diária.


Tal honestidade exigirá que você fale a respeito de Cristo aos incrédulos com quem estiver conversando. O fato de que, no passado, você teve de criar oportunidades para falar sobre assuntos espirituais comprova que, no subconsciente, você estava evitando as oportunidades que lhe eram constantemente apresentadas.


Todos nós ocultamos a nossa verdadeira personalidade por trás de uma fachada. Para preservarmos a imagem que criamos é necessário que falemos e nos comportemos de determinada maneira. Nossa conversa é designada a criar certa impressão nas pessoas com quem falamos, a fim de que edifiquemos ou preservemos a nossa própria imagem, que desejamos vender. Ora, para muitos de nós, o “testemunho” significa adicionar determinadas características cristãs a essa imagem.


O verdadeiro testemunho, por outro lado, consiste em abandonar a fachada por trás da qual nos escondemos, e não em modificar tal fachada. Viver por trás de uma fachada é o mesmo que ocultar a lâmpada debaixo de um balde. E a falsidade é opaca em relação à luz divina.

Ora, se você é honesto, ao menos parcialmente (a honestidade total é rara e difícil), na conversa que tiver com o incrédulo, descobrirá que é extremamente difícil não falar sobre coisas pertencentes ao cristianismo bíblico. Você diz que é difícil testemunhar? Eu lhe asseguro, porém, que com um pouco de honestidade é quase impossível não testemunhar.



Ignorância honesta


Ora, a honestidade também exige que admitamos não saber tudo. Um bom vendedor jamais fica sem resposta. Mas você não foi chamado para ser um vendedor, e sim uma testemunha. E isto significa que você deve ser franco a respeito do que sabe e do que tem experimentado.


Você está esperando até que tenha todas as respostas, antes de começar a testemunhar? Não o faça. De todos os modos, busque meios de responder às questões, mas não adie seu testemunho até que obtenha todas as respostas. Esteja preparado para dizer que não sabe isto ou aquilo. Ninguém ficará surpreendido. Deus não depende dos poderes de argumentação dos crentes.


Há algum tempo, estudantes do Instituto Bíblico Moody tiveram uma reunião na Universidade de Chicago. Durante o período de debate, foram apresentadas algumas perguntas difíceis. Os estudantes do Instituto Moody tiveram o bom-senso de admitir que não podiam responder certas inquirições. A honestidade deles fazia parte integral do seu testemunho.


E isto cumpriu o seu propósito. Um membro do corpo docente da Universidade de Chicago expressou publicamente seu interesse por ouvir mais. Afirmou que, pela primeira vez, havia encontrado crentes que admitiam não saber tudo. Ele afirmou que isto, ao invés de diminuir sua confiança neles, na realidade, despertou-a.


Avaliação honesta


A honestidade também exige que reconheçamos nossos fracassos. Fracassar é algo ruim, mas enganar a respeito do fracasso é muito pior. O fim nunca justifica os meios.

Não quero dizer com isto que a honestidade consiste em extravasar os nossos piores instintos. 
Afirmo, porém, que admitir a própria indignação é melhor do que fingir não estarmos indignados. Também afirmo que admitir o fracasso, em nossa vida cristã, ao invés de ser prejudicial ao nosso testemunho, pode até constituir uma parte dele. Nossa própria honestidade é um testemunho. É mister grande graça e coragem espiritual para admitir o fracasso. Somente o homem que não se preocupa consigo mesmo, nem com sua imagem pública, tendo em vista exclusivamente o seu Senhor, será capaz disso.


O pecado e o fracasso não expõem Cristo ao opróbrio? É verdade. No entanto, o opróbrio não é removido quando encobrimos o pecado. É evidente que ninguém pode cuidar deste problema, enquanto não for suficientemente honesto consigo mesmo e, quando necessário, com seus semelhantes no que diz respeito a este assunto.


Não espere até ser perfeito para testemunhar de Cristo. O testemunho envolve a franqueza em todas as ocasiões, inclusive agora. Jamais encubra uma fraqueza sua com a finalidade de testemunhar. O que o mundo espera ver não é um crente perfeito, e sim o milagre da graça de Deus agindo em um crente fraco e imperfeito.


Muitos crentes de nossos dias têm a trágica e errônea idéia de que desempenham um papel extremamente importante na conversão de um pecador. Devemos exortar o pecador, não porque nossa exortação seja capaz de salvá-lo, e sim porque não podemos agir de outra maneira. Fazendo isto, seremos autênticos em relação ao que o Espírito Santo está fazendo em nós. O Espírito Santo é Aquele que verdadeiramente tem a incumbência de cuidar de uma alma recém-nascida. Desempenhar o papel dEle é perigoso, imoral e blasfemo.


Acredito que, no evangelismo moderno, tanto público como pessoal, estamos trocando nosso direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Julgamos estar seguindo o Espírito Santo, quando, na realidade, estamos seguindo apenas uma psicologia barata. Não estamos apresentando uma Pessoa, e sim promovendo um símbolo. Fomos chamados à glória e à honra de sermos testemunhas do Senhor da História e do Redentor da humanidade, porém temos apenas produzido confusão por meio de todas as nossas técnicas que visam “obter decisões”.

É tempo de abandonarmos nossos enganos blasfemos, permitindo que nossa luz brilhe diante dos homens, a fim de que glorifiquem nosso Pai, que está no céu.



Por John White
Fonte: www.editorafiel.com.br

Pequenas Reflexões: Fé e razão - John Stott



"Ele é o Deus racional que nos fez seres racionais e nos deu uma revelação racional. Negar nossa racionalidade é, portanto, negar nossa humanidade, vindo a ser menos que seres humanos."

(John Stott - Cristianismo Equilibrado)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pequenas Reflexões: Romanos 11:35 - João Calvino



        Seres humanos não são nada; eles não podem dar nada ao Senhor que façam dele um devedor. Como diz as Escrituras, “Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?” (Rm 11:35). Pois se nós queremos que Deus nos estime, nós deveríamos ter algo nosso para lhe oferecer. Mas se ele não tem nenhum dever ou obrigação em particular para conosco, que acusação poderíamos fazer contra ele? O simples fato é que tudo que temos é nosso somente porque Ele nos deu. Portanto, nosso ser, nossa personalidade e tudo mais que ele colocou dentro de nós pertence a Ele; nós respondemos a ele por essas dádivas. E ainda por cima, ele não precisa de nada da nossa parte, e nenhuma de nossas obras pode chegar onde Ele está, como diz o salmo 16.

        Concluímos então, que quando Deus nos chama para posições de importância ou responsabilidade, ele o faz de vontade própria, e não, como imaginamos, por nos considerar mais capazes do que outros. O seu objetivo é nos manter humildes, ao mostrar que tudo depende de sua graça e não do mérito humano. Sendo isso verdadeiro, sobre preferências temporárias, quão mais se aplica este princípio à nossa salvação eterna! Quando Deus nos adota como seus filhos para nos tornar membros de sua glória celestial, que crédito podem os homens dar a si mesmos? E se eles fazem tais apelos, não merecem perder tudo devido a sua ingratidão?

(João Calvino, As Bem-Aventuranças, pp. 21,22.)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pequenas Reflexões: Regeneração das Naturezas - C.H. Spurgeon



Nosso grande objetivo não é a reversão de opiniões, e sim a regeneração das naturezas. Devemos trazer homens a Cristo e não aos nossos pontos de vista particulares a respeito do cristianismo. Fazer prosélitos é algo que cabe aos fariseus; regenerar homens para Deus é uma meta honrada dos ministros de Cristo.


(C.H. Spurgeon)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pequenas Reflexões: 1 Coríntios 4:7 - João Calvino





Ninguém possui coisa alguma, em seus próprios recursos, que o faça superior; portanto, quem quer que se ponha num nível mais elevado não passa de imbecil e impertinente. 


A genuína base da humildade cristã consiste, de um lado, em não se presumido, porque sabemos que nada possuímos de bom em nós mesmos; e, de outro, se Deus implantou algum bem em nós, que o mesmo seja, por esta razão, totalmente debitado à conta da divina Graça


(João Calvino, Exposição de 1 Corintios (1 Co 4.7), pp. 134,135.)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar!





PERDOEM-ME O DESGOSTO! ... ESTA INSURPOTÁVEL!

Perdoem-me, irmão, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca.

Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma.

Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.

Sim, eu confesso ... Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.

É insuportável ligar a televisão ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHD’s do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. PISA-SE sobre a CRUZ de Cristo em nome de JESUS. INSURPOTÁVEL! SEJA ANÁTEMA!

É insuportável ver o culto à fé na fé e também assistir descarados convites feitos em nomes de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi o suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e dê dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. INSUPORTÁVEL!

É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios com seus sacrifícios, sendo que esses ainda tem razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus, ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. INSUPORTÁVEL!

É insuportável ver o povo levado para debaixo do julgo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento e que morreram na Cruz,quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. INSUPORTÁVEL!

É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. INSUPORTÁVEL!

É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, GRAÇA e apenas GRAÇA. MISERICÓRDIA!

É insuportável ver a Bíblia ser ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. INSUPORTÁVEL TRISTEZA!

É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. INSUPORTÁVEL DESPERDÍCIO!

É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. INSUPORTÁVEL HUMILHAÇÃO!

É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. INSUPORTÁVEL REGIOSIDADE!

É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino” ou buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. INSUPORTÁVEL SUTILEZA!

É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas em nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências. INSUPORTÁVEL!

É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus, e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. INSUPORTÁVEL VAZIO!

É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do Evangelho do Reino de Deus. INSUPORTÁVEL DISSIMULAÇÃO!

É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apóstolas, sendo que eles mesmos não se enxergam e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. INSUPORTÁVEL JACTÂNCIA E LOUCURA!

É insuportável ver Jesus sendo tratando com “poder maior” e não como o único poder verdadeiro. INSUPORTÁVEL IDOLATRIA!

É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o senhor das culpas e medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido e o seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do medo da Lei, e nada acerca da TOTAL Libertação que temos da Lei do diabo na Graça de Jesus que o despojou na Cruz. INSUPORTÁVEL CULTO!

É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência, isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções e maldições. INSUPORTÁVEL É COAR O MOSQUITO E ENGOLIR O CAMELO!

É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!

De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará.

A eternidade está às portas.

Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus, com tremor e temor, porém certo da verdade de Jesus.

Texto: Caio Fábio

Imagens: Vini e Chico

Narração: Flávio Siqueira

Edição: Chico [do Caminho]

domingo, 7 de agosto de 2011

Tendo os Líderes que Merecemos




"Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Que dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos."

(Is 30.9-10)


Resumindo, Deus diz que um povo terá o tipo de líderes que deseja. Eles demandarão e aprovarão somente homens que falem coisas aprazíveis e profetizem promessas de mentira. De fato, diz Miqueias 2.11, se um homem com espírito de falsidade declarar que a salvação reside na embriaguez, “será esse tal o profeta deste povo”. A autoridade e liderança que o povo exige é conformidade ao caráter deles. A autoridade exercida por nossos presidentes reflete a fraqueza do caráter americano, e o mesmo é verdadeiro de todo país no mundo.

Um povo será governado por uma autoridade que se conforma à fé e caráter deles. Tentativas de reforma no legislativo e judiciário, sem uma reforma semelhante na fé do povo, são fúteis.

O recurso judicial criado por Deus não tem como objetivo eliminar o pecado; antes, ele oferece justiça a um povo que deseja justiça. O mundo todo hoje está praguejado de injustiça porque as pessoas não querem justiça, exceto quando esta servir aos seus interesses. As pessoas podem concordar que a justiça é boa, mas elas se sentem mais confortáveis sem ela. Elas estão prontas o suficiente para condenar a dívida, e admitir os males pessoais e sociais de uma dívida a longo prazo, mas ainda justificarão seus empréstimos tomados a longo prazo. Em cada ponto, o homem na verdade diz: que o mundo seja bom, para que eu possa ser mais livre e estar mais seguro em meu pecado e egoísmo.

Se as pessoas hoje desejassem verdadeiramente a justiça, nós a teríamos. Se desejássemos um presidente piedoso, teríamos um. Contudo, em todo o mundo, vemos apenas os líderes perversos como os mais fortes. Aparentemente, o que os homens menos desejam é uma ordem social justa, porque isso requer que eles sejam justos em primeiro lugar.
A lei de Deus fornece justiça e autoridade verdadeira àquelas pessoas que desejam isso.

Fonte: R. J. Rushdoony, Systematic Theology in Two Volumes (Vallecito, CA: Ross House Books, 1994), 1192.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

sábado, 16 de julho de 2011

"Até Quando?"


Em todos esses meus anos de caminhada na fé, que não são tantos, se comparados aos que tenho pela frente, vejo um incontável número de pessoas que um dia declararam a fé em Cristo publicamente, hoje vivendo nas mesmas práticas, ou outras ainda piores do que aquelas nas quais andavam antes de estarem presentes nas fileiras de nossas denominações. Isso sem contar os que ainda se encontram em tais fileiras. Tenho meditado muito sobre isso, principalmente porque alguns ainda procuram embasamento nas Escrituras para defenderem seu posicionamento atual de rebelião contra Deus e Sua Santa Palavra. Coisas como “sete vezes cairá o justo, e se levantará” (Pv 24:16), “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26:41), ou então que “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7:17), entre muitas outras. Usam o pecado de Davi para defenderem seu comportamento, quando a dureza do coração mais se parece com Saul. Alguns que tenho encontrado até param para conversar comigo, outros sequer querem dar ouvidos. Os que usam Davi como exemplo não seguem a mesma atitude de arrependimento que o rei teve quando foi confrontado pelo profeta Natã. Alguns me procuram, outros fogem. Encontro grupos variados. Alguns que realmente se vêem desesperados, querendo fugir das garras do pecado, mas não conseguem. Outros que querem que eu traga algo que conforte seus corações, mas que não os desafie a andar na Luz, no caminho estreito, porfiando em passar pela porta estreita, pois o próprio Senhor disse que poucos são os que por ela passarão. Explico sempre que antes de tudo importa nascer de novo (Jo 3:3,7), e isto é uma ação que começa em Deus e termina Nele. Alguns afirmam que nasceram, mas seus frutos têm mostrado algo bem diferente. Que fique claro que não me refiro à maturidade na fé, me refiro a um compromisso consciente para com Cristo. Suas obras são más, e têm criado um Deus para si, deus este que compactua com todas as suas práticas de imoralidade, avareza, mentira, bebedices, iras, dissoluções, maledicências, vaidade, soberba. Um Deus que supostamente chama seus filhos para caminhar rumo à eternidade com Ele, sem que aborreçam suas vidas neste mundo, chegando ao ponto de um me dizer abertamente: “eu bebo, fumo, pego mulezinha por aí, mas vou pro céu, PORQUE Deus conhece meu coração”. Ou seja, simplesmente desprezam a Graça de Deus, afirmando que o que os levará para a eternidade na presença do Altíssimo é algo bom que Deus achou em seus corações. Eles realmente são culpados, e caso não se arrependam, não serão poupados da Ira Vindoura.

Diante disso uma questão fica em evidência: Serão eles os únicos culpados de suas condenações? Não quero, de forma alguma, anular a responsabilidade individual da condenação de cada um (ensino claro das Escrituras. Ez. 18), mas será que devo desprezar o que tem sido pregado no evangelicalismo atual? Mestres que têm se preocupado mais em ensinar como viver neste mundo do que chamar pessoas ao arrependimento, que se convertam de seus maus caminhos. Temas importantes e fundamentais como “A ira de Deus”, “Justificação”, “Regeneração”, etc, foram execrados dos púlpitos, e argumentam que o motivo é justamente o fato de haverem muitas pessoas novas, e isso poderia afastá-las. Argumentaram pra mim que o lugar de arrazoar acerca destas coisas é no Seminário. Ou seja, você precisa entrar para um grupo específico para compreender a BASE do Evangelho. Simplesmente absurdo! Mais absurdo ainda é que tais seminários não são gratuitos, ou seja, você só entra para tal grupo seleto se tiver um certo poder aquisitivo. O que contradiz este argumento é que quando lemos as cartas neo-testamentárias, percebemos que elas eram endereçadas a igrejas compostas em sua esmagadora maioria por incultos e iletrados. Hoje é difícil encontrar algum analfabeto sentado nas fileiras de uma boa parte das denominações, e ainda assim não se pode falar no púlpito acerca de coisas que são a base do Evangelho. É uma incoerência que chega a irritar. Em João 6 vemos que a mensagem do Senhor Jesus foi dura, fazendo com que a multidão fosse embora, ficando apenas os doze. Na igreja de hoje ouvimos uma mensagem fraca, com o objetivo de manter toda a multidão, preterindo aos doze dispostos a ouvir as palavras de vida eterna. Querem que as pessoas se regozijem com a mensagem do Rei de que não punirá alguns dos rebeldes, e que esse Rei os ama, sem sequer explicar a rebelião, e porque você nasceu em rebelião. Querem que compreendam a Graça sem entender o peso da Ira de Deus esmagando Seu próprio Filho Jesus Cristo (Is. 53:10a), para não aplicá-la em mim, ou em você. E nisto me questiono: Devo mesmo desprezar a responsabilidades de tais mestres? Não sabem eles que serão julgados com maior rigor (Tg 3:1)? É impressionante o número de pessoas que aparecem com os mesmos discursos: “Tô mal, o clima lá em casa tá ruim. Tô precisando ir pra igreja”, ou “Meu casamento vai de mal a pior, meu marido não pára de beber. Preciso ir pra igreja”, ou “quero parar de usar drogas, vou pra igreja”. Elas estão erradas, em certos aspectos, de pensarem assim, e uma boa parte da culpa de assim procederem é exatamente da igreja. E o pior, tem muitos que continuam lá até conquistar tais objetivos. O tempo passa e jamais compreendem o real motivo da cruz de Cristo. Claro que não estão isentos de culpa, visto que a Bíblia está exposta a todos. Eu mesmo posso ser testemunha disto, pois uma boa parte do que aprendi a respeito da verdadeira fé não veio de púpitos, pelo menos não dos púlpitos de denominações em que estava na platéia. Vi muitos homens de Deus pregando nesse tempo de caminhada, principalmente através da internet, assistindo, John Piper, Paul Washer, Caio Fábio, entre tantos outros. Aprendi em debates em comunidades do orkut. Aprendi em inúmeros livros, e também com irmãos cheios de zelo pela Palavra. Mas aprendi, pricipalmente, com ela, a Bíblia Sagrada. O alimento que estão dispostos a te fornecer serve apenas pra te manter na religião evangélica, o que é mais uma religião entre tantas outras, que verdadeiramente não conduz ao Deus das Escrituras.

Um dia destes li uma reportagem da Revista ISTOÉ sobre um jogador, craque do nosso futebol. Descobri pela reportagem que ele é evangélico, criado desde novo na igreja. Seu pastor aparece na matéria todo orgulhoso ao falar sobre ele como membro de sua denominação. No texto fala sobre sua vida promíscua, onde pega um de seus carrões importados, passa na casa de uma menina, a leva para o motel, depois volta, deixa esta, anda 3 quarteirões e pega a outra e leva para o mesmo destino. E se diz seguidor de Cristo? Na reportagem dizia que ele era também fiel em seu dízimo de cerca de 40 mil reais. Pensei muito sobre isso, e cheguei a uma conclusão que me parece óbvia: Patrocinadores de denominações (às quais eu poderia chamar de empresas sem nenhum peso na consciência). Esse é um ótimo motivo para tais líderes de denominações não confrontarem o pecado de forma dura, assim como as Escrituras incitam. Não seria intere$$ante confrontar o pecado daquele que é o maior $u$tentador de sua denominação. É mais interessante que ele continue sentado nas fileiras da igreja, não importa se está convertido ou não, não importa se vai para o céu ou não, o que importa é que seja um dizimista fiel. O pastor do rapaz ainda diz na reportagem que sempre pede a ele para dar seu testemunho. Mas testemunho de quê? Qual o testemunho será dado? De como ficou milionário? De como comprou seu primeiro carro importado? De como faz para colecionar mulheres e viver na prostituição, lascívia e promiscuidade?

Até quando? Quantos mais continuarão sentados em nossas denomições, vivendo em rebelião, sem que dos púlpitos sejam chamados ao arrependimento? Até quando a religião será a única coisa que receberemos dos púlpitos? Quando é que pregarão a Verdade? É simplesmente desanimador. Cheguei ao ponto de ver qual será o pregador do culto de domingo para ver se vale a pena ir ou não, pois de acordo com o que é falado eu peco mais do que se estivesse em outro lugar. Peco irado e indignado com o descaso com a pregação do Evangeho genuíno. Portanto não é surpreendente que eu encontre pessoas que falem que irão para o céu, mesmo vivendo em toda sua prática de rebelião contra o Deus Todo Poderoso. Sofro com isso, e tenho muitos amigos que caminham comigo que sofrem também. Escrevo isso com lágrimas nos olhos, e me perguntando: Até quando? Quando comecei a caminhar na fé, li muitos estudos que diziam a Babilônia prostituta que lemos em Apocalípse era a Igreja Católica. Hoje, sinceramente, não ficaria surpreso se lesse algum estudo dizendo que tal prostituta corrupta é a igreja evangélica, corrompida pelo dinheiro, pela sede de poder, por todo tipo de prática absurda contra a Palavra. O objetivo aqui não é fazer uma exegese do texto de Apocalípse, até porque não creio seja específico para Igreja Católica ou Evangélica, ou seja lá qual for. Defendo que Cristo não é de uma denominação, e nem fundou qualquer religião. Cristo veio para salvar homens pecadores em rebelião contra Deus. Alguns amigos já me disseram que Cristo era mais amoroso em Sua Palavras do que os pregadores que gosto de ouvir. Óbvio que era, ninguém pode ser mais amoroso que Ele, mas ninguém também pode ser tão duro contra o pecado quanto Ele é, foi, e sempre será. Pois Ele é quem foi moído por causa do meu pecado, e do seu também. Não poupou dureza e firmeza nas palavras dirigidas às lideranças religiosas de Israel. Foi amoroso sim, com os pecadores arrependidos (que foram conduzido ao arrependimento por Ele mesmo), mas foi muito duro com os duros de coração. Tenho consciência de que muitos quando lerem este texto pensarão que me acho mais que alguém, ou que seja mais santo que outros. Siceramente espero que quem ler este texto consiga enxergar que minha crítica e reclamação é exatamente pelo fato de que sei o quanto sou falho, o quanto sou pecador, e o quanto necessito de alimento vindo dos púlpitos. Exatamente por isso reclamo. Preciso ser confrontado em meus pecados. Preciso ouvir de homens comprometidos com a Verdade da Boa Nova de Cristo, pra me incitar a caminhar em uma vida digna de ser chamado de seguidor de Cristo. Sou falho, pecador e fraco, extremamente necessitado da Graça do Senhor Jesus Cristo, que não somente me salvou, mas que me conduz caminhando aos trancos e barrancos, contudo firme nas pisaduras da fé.

Oro ao Senhor que tenha misericórdia de mim se eu estiver equivocado nas coisas que escrevo. Não sou o dono da verdade, mas me aplico a compreender a Verdade, não para impô-la aos outros, mas para aplicar em minha vida. Encerro este texto com a oração de São Francisco de Assis, que sinceramente tento fazer dela a minha oração.

“Senhor, fazei-me instrumento de Vossa paz. Onde houver ódio que eu leve o amor. Onde houver ofensa que eu leve o perdão. Onde houver discórdia que eu leve a união. Onde houver dúvida que eu leve a fé. Onde houver erro que eu leve a verdade. Onde houver desespero que eu leve a esperança. Onde houver tristeza que eu leve alegria. Onde houver trevas que eu leve a luz.
Ó, Mestre! Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado. Compreender que ser compreendido. Amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.”

Que a Graça do Senhor Jesus Cristo seja sobre todos nós!